17/12/07

Até um dia....

No domingo depois de ter escrito o último post, soube de manhã que o meu avô tinha falecido. 3 semanas depois de nos termos despedido do meu avô materno, foi a vez de nos despedirmos para sempre do meu avô paterno...
Sei que muitos dos meus amigos já passaram por isso, por esta perda... e por isso é que sabem que quando a sentimos não há palavras que nos aliviem a dor...
Sempre tive muito orgulho e vaidade em dizer que tinha os 4 avós, coisa que, infelizmente, muitos não podiam dizer... em 3 míseras, tristes semanas perdi dois deles...

O meu avô materno chamava-se António Madeira, era um homem trabalhador, pai dedicado aos 4 filhos e muito orgulhoso dos 7 netinhos (dos quais eu sou a mais velha).
Há 15 anos sofreu uma trombose, que lhe deixou muitas sequelas, mas com as quais aprendeu a lidar e a viver. Construíu a casa dele e trabalhou arduamente na quinta onde sempre fomos buscar fruta e legumes... produtos esses que sabemos que cultivava a pensar na família.
Em Julho caíu... ficou hospitalizado... melhorou, piorou, foi operado três vezes... a esperança da recuperação aumentava, outros dias diminuía... A última vez que o vi foi alguns dias depois do casamento...
Na manhã em que recebi a notícia, disse ao Thomie, quando íamos para a estação, que estava preocupada com ele, porque a minha mãe me tinha dito que ele estava pior... 4 horas depois veio a notícia. Tinha 73 anos.
Doeu muito porque foi a primeira perda que enfrentei, doeu muito.. especialmente ter de ver a minha mãe a sofrer daquela maneira...

Na semana passada, tive de me despedir do meu avôzinho querido, o meu avô Jerónimo Claro...
Na terça-feira anterior foi ao hospital com dores de barriga... descobriram que era cancro nos intestinos... e por mais que o diagnóstico fosse assustador, pensei que não devia ser assim tão terrível, porque nestes casos costumam cortar o bocado do intestino afectado ou mesmo que tal nao seja possível, o cancro desenvolve-se mais lentamente em pessoas com alguma idade... Falei com ele todos os dias em que esteve internado e pareceu-me bem, apesar de algumas dores... No sábado à noite, já não quis falar comigo ao telefone porque estava cansado... Disse à minha mãe que me mandasse um grande beijinho... Quando a minha mãe me contou isso, fiquei com um nó muito grande no peito e disse ao Thomie que ele estava muito mal, porque só por essa razão é que nao quereria falar comigo... mandei uma sms à minha mãe a dizer que estava muito assustada... na manha seguinte, veio a notícia... Tinha 83 anos...
Foi ele que sempre passámos as férias de Natal, Páscoa, Verão, feriados... com ele aprendi tanta coisa... Quase todas as recordações de infância que tenho incluem o meu avô...o avô do Monte, como às vezes dizíamos... porque moraram 20 e tal anos num monte alentejano, onde passei os melhores tempos da minha vida... O avô que sempre esteve ali para nós e que nos tratava como se fossemos únicas na Terra... As duas netinhas eram tudo para ele... a mim cahmava-me "senhora professora" e à minha mana "pequenina"...

Nao posso dizer que já aceitei o desaparecimento dele... não consigo! Lembro-me dele todos os dias.. queria contar-lhe mais coisas, queria falar com ele... Olho para as minhas mãos e lembro-me de ele me ter dito várias vezes que eu tinha as mãos como as dele...

Na sexta-feira vamos para Lisboa para passar um Natal, que vai ser bem diferente dos anteriores...

Beijinhos e obrigada pelo apoio

3 comentários:

Marisa disse...

FORÇA!!!!

Jinhos muitos!!!

Helena disse...

Susy,
os meus avós já morreram há muito, e por isso sei bem o que afirmo agora: eles não morrem nunca. Vão ficar contigo, porque uma parte do que tu és é resultado do que eles foram.
Um grande abraço,
Helena

Susana disse...

Obrigado mais uma vez pelas palavras de apoio... continua a doer...